[ Lágrimas rolando… ]

Lágrimas rolando…

Por Rilvan Batista de Santana

Caro leitor, eu não tenho a pretensão de construir um modelo autobiográfico de sucesso, de triunfo, de campeão, de determinação, de transformação, pois seria presunção, excesso de vaidade, ego inflado, falta de bom senso, mas modestamente, colocar no papel a minha pálida história de vida com reflexões sobre o seu significado e o seu desfecho. Uma curiosidade que persegue a história do pensamento humano é descobrir o seu verdadeiro “eu”, “de onde vem” e “para onde vai”. Sócrates foi o primeiro filósofo que provocou este questionamento quando disse: “Conhece-te a ti mesmo”, ou seja, o autoconhecimento, em seguida, descobrir os demais mistérios. Algumas mentes privilegiadas questionam diuturnamente o sentido da vida e da morte. Será que a morte é uma etapa da vida ou o fim de tudo? Algumas plantas renascem de suas sementes. Para os espíritas, a morte é a maneira como evolui a alma e se dar a reencarnação. Os cristãos contam com a ressurreição nos fins dos tempos e a volta de Jesus Cristo para entrarem na vida eterna. As Testemunhas de Jeová acreditam que haverá um reino aqui na Terra para os escolhidos. As religiões orientais acreditam num paraíso após a morte… A diversidade de religiões significa que o homem ainda não sabe nada além túmulo, vive de acordo seus princípios de foro íntimo e formação religiosa herdada ou adquirida porque se ele não for nutrido na fé em Deus, em Jesus Cristo, em Moisés, em Maomé, nos santos, nos anjos e nos arcanjos, na esperança de uma vida eterna, e descobre que sua vida terrena não vale um dedal de sal, que não existe céu, que não existe paraíso, que não existe inferno, nem alma nem espírito, tudo é matéria, o mundo lhe cairá sobre os ombros, a maldade prevalecerá, os seus princípios morais serão enterrados com as suas convicções religiosas, decerto, o homem perderá a vontade de viver…
Leitor amigo, a fé sustenta e dá esperança ao homem. A religião não é o “ópio do povo”, a religião tem vários papéis, mas o mais importante, acredito, é definir a
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posição do homem entre todas as criaturas, ele não é somente um animal inteligente, ele é um filho de Deus, isto é, não é simplesmente uma criatura, é um ser semelhante ao seu Criador, uma centelha da providência divina. Não faço apologia do determinismo, creio no livre arbítrio, o homem não é um escravo do seu destino desde o nascimento, mas acredito que o homem traz um destino inacabado, a exemplo de um croqui, um esboço, ele, pouco e pouco, preenche o restante do desenho e constrói sua história com as possibilidades que a vida lhe oferece, quando o homem resiste completar corretamente os traços desse croqui, a imagem fica distorcida e incompreendida, só assim se explica o bem e o mal, o justo e o injusto, a genialidade e a estupidez, o comum e o incomum. A vida é um dom de Deus, existir é uma graça da Providência, por isto, rejeito a teoria materialista, que o homem é somente pó, que não possui alma, espírito, e tudo termina com a morte. A teoria materialista além de jogar uma pá de cal na fé e na esperança do homem duma vida além túmulo, transforma um Deus de amor, de misericórdia, de bondade, num Deus mau, egoísta, masoquista e perverso, que criou o homem, fez-lhe promessa de vida eterna sem dor e sofrimento, depois lhe vira às costas e o destrói para sempre, é como se o homem fosse uma criança que nunca tivesse chupado um doce e dá-lhe o doce mais saboroso e no meio do sabor, quando ele no auge da degustação, o doce lhe fosse abruptamente tomado. Já que para explicar o mistério da nossa existência estéril e inútil, pois se “correr… o bicho pega e se ficar… o bicho come”, bem faz o cínico, não o cínico desprovido de pudores morais, porque o sofrimento alheio nos comove, aliás, estamos num mesmo barco e o fim último é o mesmo, mas o cinismo de Antístenes e Diógenes, sem apego aos bens materiais, porém, um cinismo mais atualizado, cínico suficiente, apenas, para não cultivar a miséria nem se estressar insensatamente em busca do fausto e da opulência, do ter!…

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