[ O Empresário ]

O Empresário

Por Rilvan Batista de Santana

O prof. Antônio Pazos Garrido, espanhol de nascimento e brasileiro de coração, emérito professor de português, aconselhou-me escrever sempre na primeira pessoa do plural. O seu argumento é que o texto fica mais modesto e mais democrático. O eu, diz ele, transmite egocentrismo e autoritarismo: “eu fiz”, “eu construir”, “eu sei” e por aí afora. Eu concordo, o eu mal aplicado transmite uma aura de prepotência, como se o indivíduo vivesse sozinho no mundo, não precisasse do outro.

Porém, quando o eu serve para definir as nossas responsabilidades, isentar alguém de culpa o eu tem o seu lado bom, é menos arrogante: “eu fui o culpado por…”, “eu agredi fulano”, “eu virei o carro”, “eu derramei o leite”, “eu não sei escrever” etc. Quando exprime a verdade, o eu é melhor que o nós.

Eu lhe apresento caro leitor, “O empresário”. Não possui os recursos lingüísticos dos grandes mestras das letras nem a trama bem urdida e maquinada de um Sidney Sheldon, mas tem ingredientes do cotidiano, abordados com clareza, sem preconceito, todavia, deixo-lhe que dê a última palavra e faça o seu juízo de valor.

São velhas idéias novas. Se o leitor aprová-las, gostar do enredo, do tema, eu colocarei na minha cabeça os louros da fortuna. Se o leitor achar um texto chinfrim, vazio, sem emoção e não chegar ao último capítulo, eu irei arrenegar o dia e a hora que essas idéias me vieram à cabeça e foram colocadas nesse papel.

Quero ser alvo de enésimas críticas favoráveis ou desfavoráveis, acredito na sabedoria popular que “não se chuta cachorro morto” e “fale mal, mas fale de mim”, a pior coisa é a indiferença e o esquecimento. O ser humano naturalmente, gosta de ser lembrado e jamais esquecido. A indiferença é o reflexo da falta de mérito, a derrocada.
No texto que o leitor irá me dar à honra de sua leitura: “O empresário”, aborda com liberdade, mas sem licenciosidade: o erotismo, o homossexualismo, o lesbianismo, traição, incesto, paixão, negócios, crime, negociatas, arapongagem e outros assuntos que permeiam a sociedade moderna.

Em “O empresário”, Bruno Mondley Martinni e sua irmã Clara constroem um império comercial e agro – pecuário coadjuvado por Henriette, esposa de Bruno e mãe 3 de seis filhos. Dentre esses filhos, Antony, o caçula, é um machão homossexual que usa de todos os artifícios para esconder o seu lado feminino. Os outros filhos de Bruno e Henriette, também, têm os seus pecados, mas todos seguem o caminho empresarial dos pais com sucesso.

Depois da leitura de Sêneca e a morte de Henriette, Bruno resolve deixar tudo com os filhos e vai curtir uma vida bucólica com Clara, numa de suas fazendas no Triângulo Mineiro.

Todavia, a trama, o objetivo de “O empresário”, é levar ao conhecimento do leitor que certos desvios comportamentais permeiam a sociedade com mais freqüência do que a gente pensa. As mazelas sociais atuais são tão antigas quanto à história da humanidade e a hipocrisia é o véu que encobre todas essas mazelas.

Aspectos mais profundos da vida são colocados em pauta no texto de “O empresário”, a exemplo de valorizar cada momento da vida que Bruno descobre isso em pleno vigor físico e mental. Ele descobre que as coisas miúdas do cotidiano, como acordar ao canto dos pássaros, tomar banho de bica, comer uma carne assada na brasa num fogão de lenha, um jabá no feijão, bater papo na calçada e brincar com os netos são mais saudáveis e trazem mais paz de espírito do que gerir grandes negócios e acumular bens e valores.

Kátia e Aércio simbolizam a família ajustada e o amor em “O empresário”, enquanto Júnior e Karina representam à infidelidade, o conflito e a desconfiança. Karina não encontra a felicidade no sexo desregrado nem Júnior se realiza no excesso de trabalho.

Bem leitor, neste ponto, deixar-lhe-ei à vontade para que leia o “O empresário” e com a sua inteligência e o seu discernimento, complete essa página.

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