[ O Menino dos Olhos Verdes ]

O Menino dos Olhos Verdes

Por Rilvan Batista de Santana

Apresentação

No início, pensei fazer um romance biográfico, mas olhando pelo retrovisor percebi que a minha vida é comum, sem significado maior, portanto seria uma pretensão, uma vaidade à toa, um prato feito para as pessoas que não me simpatizam, que visualizam os meus defeitos e não enxergam as minhas qualidades. Por outro lado, não possuo o talento duma Cora Coralina que em seus versos cantou os becos de Goiás e suas qualidades de doceira e vendeu milhares de livros. Também, não possuo o talento de um José Lins do Rego, nem de Fernando Sabino, nem de Rachel de Queiroz, ou, o talento de Carolina Maria de Jesus que no seu livro “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, contou sua história para milhões de leitores.

Não possuo título de “Doutor Honoris Causa” nem sou traduzido no México, nos Estados Unidos, Rússia, Itália, nem países africanos de língua comum ou, no histórico Portugal, aliás, não sou conhecido como escritor nem pelos meus vizinhos de rua e da minha cidade jamais! Nunca fui premiado nem a crítica literária me reconhece….

Não faz muito tempo, recebi de presente um livro da escritora portuguesa Maria João com o sugestivo título: “O polvo não sabia que o mexilhão tinha asas”, e quase caí duro, fiquei abestalhado, com a amável dedicatória: “Para o Rilvan, meu amigo e companheiro de escrito, com um grande abraço”. Com delicadeza e jeito, esclareci-lhe que não sou escritor, mas um admirador da arte de escrever.

Feitas as justificativas antes, escolhi algumas dezenas de textos que escrevi de mim e de meus heróis anônimos para este livro eletrônico e-book, com o título: “O menino dos olhos verdes”, é que, quando garoto, as moçoilas elogiavam meus olhos verdes e meus cabelos loiros iguais aos cabelos das espigas de milho. Hoje, os olhos verdes perderam o verde e os cabelos loiros estão encanecidos. Os meus olhos verdes já não chamam mais a atenção das moçoilas nem das jovens adultas. Faço o quê? Nada! O tempo transforma lagarta em borboleta, a inflorescência em abacaxi, e a criança bonita num velho feio.

Espero que os meus amigos gostem deste projeto e meus inimigos sejam complacentes pelo trabalho que tive de fazê-lo.

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