[ CÁTEDRA UNESCO DE LEITURA ]

22.05.2017

O livro “Por que escrevo?” do nosso Diretor de Documentação, José Domingos de Brito foi incluído na Cátedra UNESCO de Leitura. Trata-se de um “Centro de referência em leitura de múltiplas linguagens e suportes para países de fala portuguesa, desempenha simultaneamente seu papel acadêmico e informativo, tanto na produção de material científico quanto na observação participativa nas ações de cunho social desempenhada pelo IILER, atendendo, ainda e no âmbito de suas atuações gerais e específicas, as orientações e políticas de Educação Para Todos e seus objetivos”.

Resenha do Livro, elaborada pela Cátedra:

Livro: Por que escrevo?

Autor: José Domingos de Brito

Editora: Novera

Ano de Publicação: 2007

Resenha:

O livro apresenta seis divisões. Todas orbitam na tentativa de explicar o porquê se escreve. Prefácio, introdução, apresentação e princípios antecedem aos cento e dezesseis depoimentos, em ordem alfabética, extraídos de livros ou de entrevistas de vários autores nacionais e estrangeiros. Segue-se uma minibiografia dos depoentes após cada réplica, que, às vezes, não é a resposta à pergunta “Por que escrevo?” é um trecho colhido de fontes ficcionais ou não que sacia, em parte, a curiosidade do leitor. Os testemunhos dos escritores revelam alguns traços comuns passíveis de serem sintetizados: “a escrita surge como uma resposta possível aos mistérios, a certas cenas e a emoções inexplicáveis; escrever para desconcertar o maior número possível de pessoas; escreve-se por prazer, para “ordenar os fatos que a gente observa e dar sentido à vida e, juntamente com isso, há o amor pelas palavras por si próprias e pelo desejo de manipulá-las”; escreve-se por pura vaidade, por catarse para viver; escreve-se em busca da imortalidade, em busca da compreensão do mundo. Com diferenças de vida, de estilo, de época, escrever move a vida, concede leituras do mundo, permite diálogos inumeráveis.
Como um ato a mais, o organizador apresenta uma bibliografia comentada, espaço em que, José Domingos Brito, como num prólogo, discorre sobre alguns conceitos atribuídos à bibliografia e explica o seu denominado estado da arte: “buscar o que existe sobre o assunto”. Vinte oito autores, expostos de forma cronológica, escrevem sobre livro, leitor, autor, escritura e temas afins. Escrever é uma tarefa que muitos perseguem, nem tantos conseguem, mas que unge o criador de poderes. Em outras épocas, depois do ato da escrita, vinha a árdua tarefa de procurar uma editora para que a obra chegasse ao leitor. Hoje, com a Internet e com os meios que propiciam a postagem gratuita de textos de famosos e de anônimos, todos podem lançar na tela sua criação. Ainda mais: caso o texto se espalhe como um vírus, caia no gosto dos internautas, esteja nos sites de relacionamento, o novato escritor, a despeito da ausência ou presença do talento, terá seu texto lido/olhado por muitos. Livros teóricos são comentados/recomendados e mostram os olhares vários dos autores sobre a arte/a profissão de escrever. De Shopenhauer (1851), José de Alencar (1893) a Fernando Sabino, Mário de Andrade (2003), Margaret Atwood (2004), há um bom material aberto à consulta para os que desejam escrever ou para os que almejam entender o que move a escritura. Há conselhos, como os de Shopenhauer e Antônio Albalat: “Dizer muitas palavras para comunicar poucas ideias é sempre um sinal inequívoco de mediocridade”. Ambos são enfáticos na defesa do estilo claro, simples, sem rodeios. Sartre trata o assunto com vigor lítero-filosófico e sentencia que “a leitura é criação redigida”, pois a escrita “só pode encontrar seu acabamento na leitura” ao leitor, portanto, é confiada a tarefa de concluir de múltiplas formas o que o escritor começou. Depois da fala dos que são do ofício, o organizador acrescenta dois textos sobre temas transversais: Olvidos misteriosos e Um invento editorial. O livro – Por que escrevo? cumpre sua missão, principalmente aponta novas leituras cuja faina é mostrar a pluralidade dos autores e a diversidade de razões que os fazem traduzir/inventar a vida na escrita.

Palavras-chave: Escrita. Criação. Mistérios. Autor. Leitor.

Nome da Resenhista: Maria Célia Reis

(Fonte)