Autor Paulo Moriassu Hijo

Deus não é fiel

Quem não concebe o Três, e que Três é Um, é capaz apenas de enxergar as coisas deste mundo, por empregar apenas os olhos do corpo.


Fixemos nosso olhar nas coisas deste mundo. Certifiquemos que vivemos num mundo da diversidade. Tudo que aqui se encontra não é único. Não há só um exemplar de mesa. Também não há um só homem. Cada coisa que se põe à vista é um objeto, mas, como objeto, tal coisa pode se mostrar com formatos, tamanhos e cores diferentes. Se requisitarmos uma mesa e não a adjetivarmos, ninguém saberá, apenas pelo nome “mesa”, de qual mesa necessitamos.

Quando alguém indica uma pessoa apenas pelo seu nome, por exemplo, Paulo, e não nos fornece nenhuma característica, nem dados para sabermos a qual “Paulo” ele se refere, não como saber quem é esse Paulo. Se quisermos ter a mesa da qual necessitamos, ao requisitá-la, devemos qualificá-la, descrevendo-a como de madeira ou de metal, pequena ou grande, alta ou baixa, comprida ou curta, quadrada, retangular ou redonda. Se quisermos saber de qual Paulo se fala, devemos obter as suas qualidades, tais como a sua nacionalidade, sua estatura, a cor da sua pele.

E também as suas qualidades acidentais, como Paulo careca, gordo, que usa óculos. Tudo que aqui se encontra, encontra-se apenas neste mundo, sendo, portanto, mundano. Mundano por que? Porque nada aqui é perfeito e nem eterno. Tudo é gerado e tudo se corrompe. Não há nada que não esteja em movimento e livre de mudanças. Algo bom pode se corromper tornando se ruim. Nada escapa ao efeito do tempo. O novo, com o tempo, passa a velho.

Aqui, repito, é o mundo da diversidade, onde há necessidade, para conhecer e reconhecer qualquer coisa, de adjetivos. Aqui podemos dizer que uma pessoa é fiel, bela, rica, bondosa, feliz. Em uma palavra, o homem é um ser que precisa ser adjetivado para ser conhecido e reconhecido. Agora avistemos Deus. Ele se encontra em todos os lugares, mas não reside aqui. Ele reside pertence ao mundo Celestial e é Único. Não há mais que Um, mas apenas Ele, apesar dele ser concebido como Três. Mas Três também é Um. E quando se há apenas Um, basta apenas o Seu nome.

Aquele que conhece verdadeiramente Deus, sabe que Deus não deve ser adjetivado, pois querer qualificá-Lo, como fazemos com as coisas mundanas, é querer trazê-Lo para este mundo e fixá-Lo aqui. Não se deve adjetivar Deus, pois Ele não pertence a nenhuma categoria deste mundo, e comete-se a heresia ao dizer que Deus é rico, belo, bondoso, feliz ou fiel. Deus é Deus, o próprio nome. Portanto Deus é a própria Riqueza, a própria Beleza, a própria Bondade, a própria Felicidade e a própria Fidelidade.

 

 

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