Autor Nelson Tangerini

Um Livro de Poesias de Amor [A Caçadora de Estrelas]

Nelson Tangerini

O homem descobriu o tempo e a mudança de temperatura no corpo da mulher amada, caçadora de estrelas. E, perplexo, está envolvido em pensamentos, em poesias, flechando palavras que não ousam habitar este planeta deserto, totalmente devastado – não de florestas, mas de sentimentos, de afetos, de amor, de amizade, de sinceridade.
A amada se contorce, povoa a cama de palavras de amor. Um jardim de flores de um mundo distante desabrocha em cores e perfumes sobre “a campina do leito”.
Borboletas brancas, azuis, amarelas, se alvoroçam e bailam na alvorada deste amor.
Ele espera pela amada. Espera o tempo da amada. Ela faz sua viagem, navega em céu repleto de estrelas, libertando palavras que não podiam mais ser aprisionadas.

Apaixonado, o poeta escreveu no corpo da mulher amada a sua mais bela poesia de amor. Escreveu sem palavras. Escreveu com o silêncio de seu amor azul. E só ela é capaz de ler/sentir em seu corpo este poema casto, inédito e iluminado - que ninguém conseguirá jamais ler/ver. Ela entende o seu silêncio. Entende o que ele lhe diz, quando a olha na cama ou na rua ou quando toca seus cabelos caídos quase que propositalmente sobre a testa. Entende as flores que ele traz em suas poesias, em suas mãos.
Há palavras no silêncio do poeta, na ausência de palavras. Escrevi isto há alguns dias, após descobrir o caminho que nos leva ao amor intraduzível, maduro e sereno.
Ainda ontem, num shopping, ele a olhava com amor e ternura, com seu carinho habitual, enquanto ela pesquisava vestidos e bolsas numa loja – como se olhasse flores no campo. Olhava-a apaixonado, como se não a olhasse todos os dias. Olhava-a contemplativamente, admirando sua beleza e a felicidade que ora desabrocha de todos os seus gestos. Plagiando um clássico da canção americana, ele vê o rosto da amada em todas as flores.
Este homem descobriu tardiamente o amor, quando descobriu a medição do tempo da amada, o tempo exato em que a mulher viaja a um mundo distante e florido e ele a espera entre abraços e beijos ternos apaixonadamente.

Com sua alma serena e delicada, o poeta faz com que desponte, no horizonte da mulher amada, um belo sol de primavera.
Há uma poesia no amor: a poesia que vive latente entre dois seres apaixonados em movimento, em repouso após se darem, entre dois corpos iluminados. Só ela entende o que ele diz em seu silêncio, em suas não-palavras, em sua poesia não-verbal, presente que o poeta lhe dá em forma de amor.
Ele descobriu que existia, quando descobriu as quatro estações na harmonia da mulher amada. Descobrir-se e descobrir o outro é descortinar os violinos de Vivaldi, é descobrir a vida, o sentido da vida, a chave que abre a porta para a sabedoria e para a poesia.


Nelson Tangerini, 55 anos, é escritor, jornalista, poeta, compositor, fotógrafo e professor de Língua Portuguesa e Literatura. É membro do Clube dos Escritores Piracicaba [ clube.escritores@uol.com.br ], onde ocupa a Cadeira 073 – Nestor Tangerini.

n.tangerini@uol.com.br , nmtangerini@yahoo.com.br





 


 

 

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