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Autor Inaldo Telles Barreto

O Evangelho Segundo Maria Madalena

 

 

 

Introdução:

Inicio este livro e intitulo “O evangelho segundo Miryam de Magdala”, com o propósito de incentivar as mulheres nesse projeto mais excelso já determinado na face da terra.

Michelle Perrot, no seu livro “Mi historia de las mujeres”, cita com muita propriedade um acontecimento marcante na história da humanidade, o concílio de Mâcon ocorrido no ano de 585 DC. Relembra que, essa pergunta forjada nos séculos XVI e XVII pode ser até mesmo um mito atribuído a Pierre Bayle. “A Igreja, naquele período denominado séculos de ferro, cometeu suas barbáries: “Las mujeres tienen alma?”

Charles Dickens fala de uma mulher, Madame Derfage, missionária fervorosa da revolução francesa, ela sentada no seu bar tricoteava os nomes das suas vitimas cujas cabeças seriam decepadas na guilhotina. Para Dickens, Madame Derfage é uma criatura insensível, e vingativa que o mundo faria bem em jamais abrigar novamente esse tipo de mulher. Uma mulher de caráter tão pobre e sinistro, nunca seria encontrada na Inglaterra, estando abaixo de qualquer mulher inglesa.

O nome Maria no Novo Testamento, é comum. Temos Maria mãe de Jesus (João 19:25), Maria mãe de Tiago e de José (João 19:25), Maria Madalena da cidade de Magdala, Maria mãe de João Marcos (Atos 12:12), Maria de Betânia, era irmã de Marta e Lázaro (João 11:1).

Na antiguidade, os líderes das igrejas, apontaram Maria de Magdala como a pecadora da cidade citada por Lucas (Lucas 7:37), mas perceberam o erro visto que todos os outros evangelistas omitiram este nome, logo se tratava de outra mulher. Maria Madalena seria aquela companheira de Joana, mulher de Cuza procurador de Antipas, e muitas outras que o serviam com suas riquezas. Certamente os discípulos almoçavam todos os dias, alguém teria que providenciar o alimento e tudo o mais, para o bom desenvolvimento do trabalho.


A história das mulheres na Bíblia é relevante, se inicia com Eva que significa Vida. Na língua hebraica Eva é Isha por que foi tomada do homem Ish Gn. 2:23, no jardim homem e mulher eram iguais, “estavam nus e não se envergonhavam”.


É no jardim que lemos o desenlace mais citado por todas as épocas, e uma das frases mais citadas quando se quer falar de culpa: “A mulher me deu o fruto e eu comi” se esquivou Adão. “A serpente me enganou e eu comi” se esquivou Eva.

Paulo lembra esse fato para legislar a respeito da mulher, da sua posição na Igreja e no lar. “Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina” 1ª Co 14:34, com outras palavras ele escreveu a Timóteo “A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão” . Acontece que na época de Paulo nas sinagogas existia uma divisória (m`chitzah) de forma que os homens ficassem de um lado e as mulheres de outro, dessa forma a comunicação só seria possível em voz alta, isso provocaria um grande tumulto e conseqüentemente um escândalo. Convinha o silêncio. Mas ele não deixa de recomendar às mulheres: “Sejam mestras do bem”. Escreveu a Tito.


A passagem mais importante como regra sobre as mulheres na Igreja é I Co 14:34-35 . “Conservem-se as mulheres caladas, nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a Lei determina. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na Igreja” Mas há dúvidas sobre essa passagem, ela se move com dificuldade entre alguns importantes testemunhos textual. Em três manuscritos gregos e um par de testemunhos Latino, os versos (33-34) não são encontrados aqui, mas depois do verso 40.

Há boas razões para pensar que Paulo não escreveu originalmente esses versos.

A contradição explícita pode ser percebida, Paulo orienta as mulheres a profetizar com a cabeça coberta no capítulo 11 e proíbe no capítulo 14. Não é razoável imaginar que Paulo entrasse em conflito consigo mesmo num curto espaço de três capítulos. É visível que esses versos (34-35) não provêm de Paulo, mas de algum escriba muito conservador.


David H. Stern judeu-cristão, admite que a divisória “M`chitzah” forçava qualquer diálogo a se transformar numa gritaria dentro da sinagoga, e nesse caso o melhor seria a mulher perguntar ao seu marido em particular na sua própria casa. E se a mulher não fosse casada? O texto manda perguntar ao marido. Conclui-se que foi uma pergunta feita ao apóstolo especificamente em relação à mulher e o seu marido estando eles no interior de uma sinagoga e separados pelo “M`chitzah”. Ou então diz David H. Stern, é possível concluir como alguns fazem, que Sha`ul avilta as mulheres.


Mas é concluindo especialmente numa atitude de agradecimento que se espera encontrar com mais abundância essas referências, é assim que acontece no capítulo 16 da carta aos Romanos. Febe era a diaconisa na igreja de Cencréia (v.v. 1-2). Priscila trabalhou nas missões e tinha uma célula de discipulado em sua casa (v.v.3-4). Maria foi uma colega que muito auxiliou na evangelização dos romanos (v.6). Trifena e Trifosa que nos lembra irmãs gêmeas, Pérside uma cooperadora no evangelho (v.v.6,12) Júlia que tinha o nome da filha do imperador, a mãe de Rufo, a irmã de Nereu e Olimpas. Paulo cita Adrônico e Junia como sendo apóstolo (exímios BJ) antes dele. Júnias era sem dúvida uma mulher e com certeza se tratava de um casal como Priscila e Áquila (v.v.3,7). Alguns teólogos como Paulo Gardner acha que Júnias era homem, isso favorece àqueles que advogam a mordaça religiosa às mulheres na Igreja.

Orígenes 255 a.D reconheceu o trabalho das mulheres, afinal dizia ele: “Deus na sua infinita sabedoria escolheu o que é fraco para mostrar o seu poder”.

Capítulo III

Contexto Histórico

Recentemente, foi descoberto cerca de dez selos dos séculos VIII e IX, estes selos referenciavam às mulheres, podemos notar através destes selos que elas nunca ou com muita dificuldade, exerciam com independência suas ações legais ou financeiras. Pelos selos descobertos sabe-se que um bom número de mulheres sem dúvida conheceu certa independência econômico-financeira. Os selos sempre mantinham um vínculo com a terceira pessoa: “Filha de...” “esposa de...”.

O selo mais importante é do período Persa. Impressiona a designação no selo: “Pertencente a Shelomit, a jovem-escrava do governador Elnathan. Talvez esposa dele.

Um selo do VIII ou IX século registrava no verso: Esta é a esposa de Ahab? Outro selo constava: Maadana, a filha do rei.

Nesta época Samaria, tinha sido devastada, e parte da sua população foi levada para o exílio, essa população é que foi designada como: a famosa “dez tribos perdidas”. Esse trágico acontecimento é descrito no livro 2 º Reis 17:4-7

Outro fator cultural importante de aspecto curioso era os nomes que os pais davam aos filhos, muitos usavam o nomes como: Baal, Meribaal, Ishbaal. Ou o povo israelita assimilou na cultura do deus pagão Baal, ou usou o prefixo dando a entender outro significado para Baal, mestre, senhor. De qualquer forma foi um descuido

O uso de uma palavra de duplo sentido na formação de nomes próprios para judeus monoteístas, também era algo comum.

O monoteísmo foi bem fundamentado a partir da metade do VI século a.C, pelas palavras do profeta Isaías: “Assim diz o senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus”. (Isaías 44:6) “Monotheism had been Born” O monoteísmo havia acabado de nascer.

No período da Monarquia, a situação religiosa ainda estava confusa. Naquela época havia um grupo zeloso na adoração a deusa YHWH, a maioria do povo Judeu não via nenhuma objeção em combinar a adoração ao Deus de Israel, com outros deuses, usando objetos de cultos na adoração, tais como pedras, pontos sagrados e imagens. Uma inscrição é muito esclarecedora

“Abençoado Uriah por YHWH e pelos seus asherah – que o livrou de seus inimigos”. Então: “YHWH`s asherah é o meio pelo qual Uriah ficou livre dos seus inimigos” Notadamente uma mistura de deuses.

Quem era asherah? Esta palavra entre os hebreus no Antigo Testamento, originalmente se referia ao nome de uma deusa esposa do mais alto deus Cananeu, que se igualava a YHWH naquele período. Em adição se calcula a indicação de árvores sagradas ou lugares designado como sagrados como símbolos de fertilidade e sexualidade feminina. Isso foi reconhecido como idolatria. No reino de Ezequias e de Josias foi tomada providência para acabar com a idolatria em Israel. Mas isso foi só por um tempo, logo tudo começava de novo.

O EVANGELHO DE MARIA MADALENA

III - O evangelho que vence a morte.

A mensagem do tumulo vazio

Literalmente: Tiraram o Senhor meu, e não sei onde puseram o mesmo.


“Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram”. João 20 :13b.


Quando visitei Israel, estava na programação uma visita ao Jardim, lá pude visitar o sepulcro vazio, talvez nem seja aquele, mas a impressão que tive é que a semelhança conduz a uma meditação, assim oramos naquele lugar. Esse túmulo foi descoberto pelo general britânico Charles Gordon. Os arqueólogos acham que deve haver outro, de qualquer forma será semelhante a esse, encravado numa rocha e situado num jardim, trará as mesmas motivações.


O túmulo vazio foi uma proclamação arrebatada pela emoção, cheia de surpresas, de dúvidas, certezas e incertezas. Ela saiu correndo assustada, as árvores ao seu lado se tornaram translúcidas naquela madrugada, pareciam espantalhos correndo ao encontro dela. Ela olhava para os céus e para as árvores, faltava-lhe ar, suspirava, inquiria a si mesmo: Onde o puseram? Ele morreu, sim morreu, mas o túmulo estava vazio. Mas as vestes lá estavam intactas. Por quê? O Tanakh ensinava que o Messias haveria de ressuscitar dos mortos. Isaías 53:9-12 Salmo 16:10, depois Lucas escreve no livro de Atos: “Mas Deus, o ressuscitou dos mortos, rompendo os laços da morte, porque era impossível que a morte o retivesse, A respeito dele, disse Davi: “porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição” Atos 2:24, 27

-Shim`on Kefa o túmulo está vazio! Shim`on-Kefa - Pedro não se recordava de nada que justificasse aquele acontecimento.


“Corri para anunciar, encontrei as outras mulheres, mas eles não acreditaram “Tais palavras lhes pareciam um delírio e não acreditaram nelas”. Não me digam que estou desequilibrada, não estou delirando, não se trata de –
lhroV, loucura, delírio, lero-lero. O tumulo está vazio!


Entretanto João meditou consigo mesmo: “Ele ressuscitou”. Se o túmulo está vazio significa que ele ressuscitou. Os anjos disseram a elas: “Por que buscais entre os mortos ao que vive?” Elas repetiram aos discípulos e a muitos outros que estavam com eles.

Então Pedro resolveu ir conferir, João era mais jovem, correu mais depressa e chegou primeiro, viu as vestes de Jesus intactas, Ele já não vestia roupas confeccionadas por mãos humanas. “Muito tempo depois, João exilado na Ilha de Patmos, viu Jesus com suas vestes talar, e cingido à altura do peito com uma cinta de ouro”, “ele viu e creu”


A grande proclamação daquela madrugada foi um anúncio a toda humanidade e uma declaração diante de anjos e potestades, diante de reis e príncipes, que o túmulo estava vazio e isso exigia uma explicação.


Minha mensagem provocou um tumulto tão grande que arrancou para fora do esconderijo pelo menos dois deles que saíram às pressas para conferir. Isso significava esperança, no fundo da minha alma, sabia que ninguém poderia negar que havia um resquício de esperança no coração dos talmidim que se esconderam.


A morte trágica de Jesus deixou os discípulos desorientados, o medo tinha roubado o amor, fugiram assustados ouviam as pisadas fortes e pesadas dos soldados, tochas acesas, alarido de guerra. Eles quiseram lutar, ameaçaram puxar as espadas, mas Yeshua falou que se cumpria as Escrituras, essas palavras associadas ao tumulto colocaram em fuga os corajosos discípulos. Um deles certa vez dissera por ocasião da ressurreição de Lázaro quando os fariseus já tinham manifestado o desejo de matar Jesus, naquela ocasião disse Tiago: “Vamos juntos para morrermos com ele”. Aquela hora havia chegado, mas todos haviam fugidos, inclusive ele.


“Le ètoile de la foi no eclaire plus ma noire route tout est abime autour de moi.” (³)


As dúvidas tentavam afogar as esperanças, o farol da fé não clareava mais aquele caminho escuro, e um abismo se abria a sua volta, as dúvidas eram como as folhas que caem na primavera, folhas sopradas pelo vento da incerteza, alimentadas pelo desespero das contingências.


Madalhnh  permanecia fiel às palavras arraigadas no íntimo que se expandiam na sua alma e prevaleciam por causa da fé e do amor que ultrapassava todas as barreiras.


“Todo mundo, amigos e oponentes, sabiam que estava vazio. As únicas perguntas dignas de tratamento eram: por que o túmulo estava vazio? e o que isso provava?” J.N.D. Anderson, advogado e professor de Direito Oriental na Universidade de Londres, citado por Josh McDowell em seu livro: Evidências Históricas da Fé Cristã.


Quem ousaria violar o selo e remover a grande Pedra?

Os inimigos, alguns “perushim”, não. Porque eles iriam “facilitar” a história.

Os amigos, ( talmidim), não. Porque estavam com medo.

Os Soldados, não. Porque foram encarregados de guardar o túmulo e poderiam ser punidos com a pena capital.

Mas a pedra foi removida. Quem a removeu?


-Shim`on Kefa o túmulo está vazio!


Levaram o meu Senhor, mas não me importa as dificuldades, só pretendia saber onde o puseram, estava preparada para o que fosse necessário, não estava com medo. Pois eu me dispusera a levar o corpo para as devidas cerimônias, as irmãs já tinham preparado fragrância e ungüentos.

Pedro: Aquele vazio do tumulo se estendeu sobre a minha alma quase vazia, não consegui pensar mais nada. A busca pelo corpo me deixou exausta, senti uma vaga esperança que se desvanecia num lapso de tempo, lembrei-me da história de José abandonado pelos seus irmãos e lançado numa cisterna vazia, mas ele foi encontrado com vida no Egito. Meus pensamentos eram como uma noite escura e tempestuosa, mesmo assim ouvi passos, não imaginei quem seria ao virar-me para traz. Ele estava em pé e falou comigo. Miryam!

IV - O Evangelho sobre a riqueza moral e material.

A mensagem da coragem e do despojamento

“Dize-me onde o puseste, e eu o levarei”

Literalmente: Dize a mim onde puseste o mesmo, e eu a ele levarei


Sua disposição em achar o corpo do Mestre e cuidar do sepultamento revelou uma disponibilidade de recursos a serviços do discipulado.

TÍTULO DA OBRA: O EVANGELHO SEGUNDO MARIA MADALENA

126 PÁGINAS

DISTRIBUIÇÃO:  www.editoraserepensar.com

 

 

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