
Autor Mouzar Benedito
"Mineiro gosta mesmo de trem. Não tem jeito. E chama tudo de trem: refere-se a panelas e pratos como trens de cozinha, doença é um trem e o remédiom também
é (um mineiro piorava de saúde e me dizia que teve um trem esquisito, mas depois tomou um trem que o farmacêutico receitou e ficou bom). Já vi gente comprar trem de escritório, trem de matar mosquito, trem de tudo quanto é tipo. Mulher bonita é trem bão ou trem doido.
Como diz a piada, mineiro só não chama uma coisa de trem: o trem, quer dizer, o trem de ferro. Contam que uma familia esperava o trem numa estação mineira e, quando ele apontou se aproximando da estação, o homem falou pra mulher:
- Mulher pega os trens que lá vem o baita."
Neste livro, Mouzar Bendito relata histórias de andanças de trem pelo Brasil adentro, memórias de sua infância mineira, casos do curso de Geografia da USP, seu encontro com a poetisa Cora Coralina, com pessoas que passaram pela sua vida na profissão de jornalista e, assim, forma um rico painel da diversidade cultural brasileira, sempre com muito humor e a radicalidade dos revolucionários de alma.
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