
Autor Andressa Le Savoldi
PEQUENA INTRODUÇÃO POÉTICA
Há poesia em todas as coisas, em todas as coisas há poesia. Quer dizer que há beleza, há beleza em todas as coisas. O próprio feio pode ser belo: depende dos olhos de quem vê. O poeta é o ser que enxerga o que está além do olhar. Escreve poesia por ser poeta, não é poeta por escrever poesia.
A poesia é um texto em verso, ritmado, pois sem ritmo, não é poesia. Já o poema, que deveras ser mais longo, possui a sorte de “ser o que quiser” ao não possuir a mesma melodia.
O poema/poesia começa no silêncio pelos últimos crepúsculos do pensamento sentido, e, segundo Álvares de Azevedo, “brilhando sobre a vida como a tarde sobre a terra. A poesia puríssima banha com seu reflexo ideal a beleza sensível e nua”, assim, fala pela linguagem das coisas, por colocar-nos, simplesmente, em contato direto com a realidade.
A poesia é a tarefa do poeta na redescoberta do simples, do humano, da verdade das coisas... E a meta do poeta é o inatingível, pois é esse que eleva o seu pensamento e faz com que seus sonhos não tenham limites. Em sua lata cabe o incabível, cabe tudo e o nada visto: a riqueza de sua imaginação inspirada.
Sim, diga e creiam o que quiserem: - todo o vaporoso da visão abstrata não interessa tanto como a realidade do formoso objeto a que amamos, objeto-inspiração, que se torna objeto da palavra.
QUEM ESCREVE SENTE O QUE ESCREVE
No silêncio do papel... escrevo versos! como quem chora, como quem ama, como quem morre, como quem sente, como quem vê. E, como diz Pessoa que o mito é o nada que é tudo, eu ouso a dizer que minha poesia é quase um mito, ou seja, um quase nada que é tudo, um quase tudo que é nada.
A poesia é uma arte de um eu que deseja mutilar o silêncio ao fazer-se.
Quem lê, aprenda, deve-se ler com simpatia, intuição, inteligência, compreensão e gozo.
A AUTORA.
Cálice que transborda em versos
Ao ler os poemas de Andressa Le Savoldi, a primeira impressão que recolho é o transbordar de todos os limites da paixão. A imagem seria a de um cálice repleto e espumante a escorrer excessos como quando se estoura a champanha. E, muito rapidamente, percebe-se que restou na taça muito menos do que aquilo que a espuma prometia quando, enfim, se evapora.
Mas, a paixão não é isso, transbordamento, excesso? A entrega tanta até à renúncia, se preciso for. Enquanto, em silêncio, clama para que não seja. Como nestes versos:
“Meu amor se cala
e se faz
maior que tudo...”
Mas nunca o tempo dos amantes é suficiente para que tudo seja dito. Assim, num belo flagrante feito pela autora, a estrofe se completa:
“Pois eu queria
lhe dizer tudo
E tudo ficou mudo”
Neste ponto começam as perguntas, as dúvidas, os conflitos, a exasperada procura da correspondência no ser amado. Tudo a trair angustiante medo da perda na plenitude do encontro.
Entre tantos sentimentos conflituosos, os momentos que compensam, de totalidade e certeza:
“Me sinto completa...
repleta”.
Sentimentos compõe a matéria prima desta poesia-paixão contada, todavia, em versos ricos, palavras escolhidas como quem garimpa, entre cascalhos, preciosas pedras. E fabrica com elas metáforas surpreendentes:
Eu quero ser mais
mais que sonho
[...]
Miragem no cais.
A paixão e seus desdobramentos, suas nuances sem fim, transformadas em bem resolvidos versos, é a definição que encontro para a poesia da jovem Andressa que “faz versos como quem vai morrer...”
Levi Bucalem Ferrari
Ex- presidente da União Brasileira de Escritores
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