Autor Paulo Veiga

Crônicas e Contos, Incontáveis

"Vossa Excelência acabou de afirmar que faltava a Deus uma legislação social melhor, perguntamos: Deus administrava o Céu a sós?

- Não, havia um velho, o tal Pedro, mentiroso que mais pescava que trabalhava e era o seu braço direito; havia também o tal Gabriel, espécie de arauto da administração, com quem eu tinha sérios atritos, motivo da minha expulsão, não só por essa razão, mas também expulso pelos mexeriqueiros alegarem que sou pai de Caim. O Deus era ente querido por todos, como também o Pedrão, tipo bonachão, pronto para atender a todos. De modo geral o reino celeste não era bem administrado; nunca atendia aos pedidos dos terrestres vivos, e isso levou a aumentar a quantidade de ateus terráqueos, tanto é que, atualmente, há na Espanha a associação "União de Ateus e Livres Pensadores da Espanha", dotada até de ônibus para servir os seus filiados ateus. Colaboro com eles.

Perguntaram se depois de expulso alguém do Céu o visitava no Inferno, respondeu que varios amigos compareciam. Principalmente o Jorge, que antes pertenceu à cavalaria romana, o Cipriano que divertia as diabinhas com mágicas, e ainda o afeminado Lourenço.

Muitos anos antes o Inferno foi reinado de uma confederação, e quem reinava era uma rainha, a Prosérpina, mulher da orgia, mas os inferninhos foram dissolvidos, restando somente o Inferno que presidi, disse Lucifer.

Por curiosidade, um cientista perguntou por que algumas vezes o Lúcifer aparecia com parte da indumentária usando chifres; respondeu que o uso era por tradições de outros povos que foram para o Inferno, os chamados cornos, pois lá havia demos de diversas etnias, a principal foi a dos viquingues."

 

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