[ ILUSTRES PERNAMBUCANOS XLIII – Luís Jardim ]

06.11.2017

Luís Inácio de Miranda Jardim nasceu em Garanhuns, em 8/12/1901. Escritor, pintor, tradutor, desenhista e dramaturgo. Filho do professor Manoel Jardim e de Angélica Aurora, foi alfabetizado em casa, mas realizou os primeiros estudos na escola particular de seu primo, Arthur Brasiliense Maia, chamada Grêmio Literário Raul Pompéia. Foi também na infância, a partir dos nove anos, que começou a desenhar, incentivado pelos tios Argemiro e Souza.

Em 1917 ocorreu a “Hecatombe de Garanhuns”, uma chacina provocada por motivos políticos que vitimou dentre outros seu pai. Desolado, deixa a cidade e passou a viver no Recife. Ao chegar, ficou encantado e decepcionado ao mesmo tempo com a cidade: “dois rios a serviço de uma cidade, defronte o oceano. Aquelas pontes, a cidade plana […]. A Rua da Aurora era um primor […] o cais […], a praia de Boa Viagem, mansa, bonita […]”. Entretanto, achava o Recife uma cidade “descuidada e o recifense sem maior interesse, ou sem grande entusiasmo pela sua terra […], os prefeitos nunca tiraram partido do encanto natural da cidade”.

Trabalhou no comércio como balconista, estudou inglês e conheceu Alice, com quem veio a se casar. Em 1928 conheceu Gilberto Freyre, de quem se tornaria amigo e aconselhou-o a escrever seu primeiro artigo – Análise estética da pintura -, publicado no jornal “A Província”, em 1929. Já ambientado na cidade, frequentou o Café Lafayette, reduto da intelectualidade do Recife, onde manteve fortes laços de amizade, particularmente Osório Borba e Joaquim Cardoso.

Seus primeiros desenhos foram publicados na “Revista do Norte” e no jornal “A Província”. Ilustrou e/ou fez a capa de importantes livros: Guia Prático Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, de Gilberto Freyre; Guia de Ouro Preto, de Manuel Bandeira; Riacho Doce, Menino de Engenho e a maior parte dos livros de José Lins do Rego; Aparência do Rio de Janeiro: notícia histórica e descritiva da cidade, de Gastão Cruls; O Quinze, de Raquel de Queiroz dentre outros. Em seguida, e por influência de Gilberto Freyre, foi para o Rio de Janeiro fazer uma exposição dos seus trabalhos em aquarela e não voltou mais ao Recife.

No Rio foi funcionário do Instituto do Açúcar e do Álcool, do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, da Editora José Olympio além de redator de vários jornais. Em 1937 participou do Concurso Literário Infantil do Ministério da Educação e recebeu os dois primeiros lugares com histórias do folclore nacional: O Boi Aruá – livro que Monteiro Lobato considerou “o mais belo do gênero escrito no Brasil” – e O Tatu e o Macaco. Em 1940, foram publicados com ilustrações e, em 1942, foram traduzidos e publicados em inglês por uma editora de Nova York. Noutro concurso de contos para o Prêmio Humberto de Campos, em 1938, venceu seu concorrente Guimarães Rosa, que inscreveu a primeira versão de Sagarana com o livro de contos Maria Perigosa. Com este prêmio, conquistou o Rio de Janeiro.

As premiações foram uma constante em sua vida literária. Em 1958 recebeu da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Cláudio de Souza, categoria teatro, com a peça Isabel do Sertão e, em 1968, recebeu o Prêmio Monteiro Lobato de Literatura Infantil com As Proezas do Menino Jesus, um livro publicado em edições sucessivas, com direito a prefácio e estudo de Tristão de Athayde. Escreveu ainda As aventuras do menino Chico de Assis (1971), Meu pequeno mundo (1977), Façanhas do cavalo voador (1978) e O ajudante de mentiroso. Além de escritor, desenhista e pintor, foi tradutor do poema hindu Nalá e Damayanti e da peça teatral de Arthur Miller, A Morte do Caixeiro Viajante.

O livro de contos Maria Perigosa, foi reeditado com o patrocínio da prefeitura de Garanhuns, em 1979, no centenário da cidade. Nesta época, a prefeitura afixou uma placa comemorativa na casa que lhe serviu de residência. Por essa época, ele já havia tomado a decisão de se enclausurar em seu apartamento no Rio de Janeiro, e não participou dessas homenagens. Mais tarde, em 1990, o município criou o espaço cultural que leva seu nome. Antes dessa homenagem, a Fundação Joaquim Nabuco em parceria com a Editora Massangana decidiram homenageá-lo e pediram ao seu amigo Edson Nery da Fonseca que organizasse o livro Imagem e texto: homenagem ao pintor e escritor Luís Jardim (Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1985). Posteriormente a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco-FUNDARPE, também prestou sua homenagem, em 1989, com o lançamento do livro Luís Jardim: ficção e vida, escrito por Maria da Paz Ribeiro Dantas, um ensaio incluído na “Biblioteca Comunitária de Pernambuco”. Faleceu em 1/1/1987.

Espaço Cultural Luiz Jardim, em Garanhuns (PE)