Chega às livrarias “Drummond e o Elefante Geraldão”, de Fernando Jorge

Durante quase trinta anos, o autor foi confidente de Drummond e lançou num diário suas conversas com ele.

Imagem ilustrativa 17.11.2012

 

Durante quase 30 anos, uma amizade sincera uniu o fundamental Carlos Drummond de Andrade e o escritor e jornalista Fernando Jorge, associado histórico da UBE. Fernando sempre visitava Drummond quando ia ao Rio de Janeiro e registrava num diário as conversas que manteve com o poeta de Itabira ao longo de todos esses anos, tal qual fez Eckermann em relação a Goethe.

O resultado desses tecos de prosa chega agora às livrarias na forma do imperdível livro Drummond e o Elefante Geraldão, de Fernando Jorge, um lançamento da Editora Novo Século, neste ano em que se assinala os 110 anos de nascimento do poeta de “E Agora, José?”

É notável como Fernando reconstitui com fidelidade não só os diálogos curiosíssimos mas os gestos e as expressões fisionômicas de Drummond. Reconhecidamente retraído, introspectivo e discreto, Drummond sentia-se à vontade com Fernando Jorge para se abrir em confidências e revelações, vê-se logo. Ambos recitavam suas poesias preferidas um para o outro. Drummond não raro mostrava-se emotivo.

Queixava-se a Fernando do assédio dos fãs e rememorou dezenas de episódios curiosíssimos de sua vida, como seu rompimento com Oswald de Andrade, sua polêmica com o líder comunista Luis Carlos Prestes e uma sessão espírita que participou na companhia de Vinícius de Moraes e Fernando Sabino (em que o trio tentou invocar o espírito de Mário de Andrade...).

Drummond também confessou a seu ilustre interlocutor seu desprezo pela Academia Brasileira de Letras e não escondeu o mau juízo que fazia dos políticos brasileiros.

O confidente Fernando Jorge também tomava suas liberdades com Drummond, ousadia permitida pela intimidade que desfrutava. Exemplo disso é quando perguntou qual era o Drummond mais sincero o poeta ou o prosador porque como “poeta você viola as leis da sintaxe e como prosador as respeita, não se atreve a ser um gramaticida?”.

Carlos Drummond de Andrade também revelou a seu amigo que ambicionava escrever um romance:

-Adoraria ser o autor de um romance fantástico, com a história de um elefante voraz, insaciável, que devora todos os dias, na hora do almoço, um boi, ou uma baleia, ou um hipopótamo. Até já escolhi o nome desse bicho: Geraldão. Devido ao seu apetite, fica do tamanho daquele morro de Ouro Preto, o Itacolomi, cuja altura é de 1.797 metros. Geraldão ambicionava namorar a elefanta Claudete e não conseguia, por causa do seu tamanho. E além disso, ao fazer cocô, emporcalhava tudo...

Fernando Jorge nasceu em Petrópolis (RJ). É escritor, jornalista, dicionarista e historiador. Bacharel pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Ex-diretor da Divisão Técnica da Biblioteca da Assembleia Legislativa de São Paulo, foi colunista da Folha da Tarde, da revista Imprensa e mantém uma coluna numa rede de quarenta jornais. Colaborou, por muitos anos, nos programas de TV do apresentador Flávio Cavalcanti. Durante a ditadura militar foi processado quatro vezes como “escritor subversivo”. Biógrafo meticuloso e definitivo de Olavo Bilac, Santos Dumont e Getulio Vargas. Pela sua biografia monumental de Aleijadinho foi agraciado em 1961 com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Publicou, ainda, entre mais de 30 obras, o romance satírico O Grande Líder (já na sua sexta edição), Lutero e a Igreja do Pecado, Cale a Boca, Jornalista! (O Ódio e a Fúria dos Mandões contra a Imprensa Brasileira), A Academia do Fardão e da Confusão e Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido. É membro da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

 
 
 
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