[ Palestra “Gênese de O Quinze, de Rachel de Queiroz – anotações críticas”, acontece no dia 24 de novembro ]

11.11.2016

Palestra “Gênese de O Quinze, de Rachel de Queiroz – anotações críticas”, será ministrada por nosso associado Gabriel Kwak na Academia Paulista de Letras no dia 24 de novembro às 19h.

Sobre o livro:

O Quinze, de Rachel de Queiroz

O romance O Quinze, de Rachel de Queiroz (1910-2003) faz parte da safra de romances regionais nordestinos, do período do Modernismo brasileiro, de perfil menos revolucionário do que o Modernismo inicial de 22. Esta safra transformou igualmente os padrões de linguagem e se baseia nos temas do Nordeste. O Quinze consagrou Rachel, fazendo-a respeitada por público e crítica.

Lançado em 1930, O Quinze é o primeiro livro de Rachel (quando ela tinha apenas 20 anos) e o primeiro sobre o drama da seca, do semiárido nordestino. A protagonista do enredo é Conceição, uma jovem professora órfã, muito avançada pra época, mas atraída por um fazendeiro rude, Vicente. O dono de fazenda, no entanto, é sensível à miserabilidade circundante do sertão.

Prosa inovadora, denúncia social, contenção de linguagem e análise psicológica dos personagens (Vicente, Conceição, retirantes, Chico Bento) marcam o romance.

Dessa geração de romancistas neorrealistas modernos, além de Rachel, fazem parte José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Amando Fontes e Jorge Amado. Todos influenciados pelas preocupações sociais do Brasil da época (1930-1945).

Como anota Luciana Stegagno-Picchio, “…o livro narra a história de um grupo de ‘retirantes’, o vaqueiro Chico Bento e a sua família, ao redor dos quais se move a sociedade dos fazendeiros e dos colonos, perseguidos no ‘sertão’ pela famosa ‘seca’ de 1915 (…) Havia no romance também uma tênue trama amorosa. (…) O que conta, de qualquer modo, nesses textos é a intenção: arte instrumental, a serviço de uma ideia regionalista, em que seca e coronelismo são as duas chagas, a da natureza-inimiga e a dos homens, de uma sociedade que só em si, na solidariedade consciente dos seus filhos, pode encontrar uma via de salvação.” (História da Literatura Brasileira, 2 ed.rev. e atualizada, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2004).

Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, a cearense Rachel de Queiroz, além de romancista, também destacou-se como cronista, contista, tradutora e jornalista.

Sobre o palestrante:

Gabriel Kwak  é jornalista e escritor. Presta serviço para editoras em pesquisa, revisão de texto e preparação de originais. É pós-graduado em Teoria da Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Tem diversos trabalhos publicados em revistas, jornais e obras coletivas. Com passagens por veículos como Rádio Gazeta AM, revista Imprensa, a revista ‘Diálogos & Debates’ (da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo) e Portal R7, da Rede Record de Televisão.

Autor dos livros O Trevo e a Vassoura: os Destinos de Jânio Quadros e Adhemar de Barros (Editora Girafa) e Os Livros de Cabeceira: 65 intelectuais brasileiros e seus livros preferidos (Editora Multifoco), entre outros. É diretor da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), foi diretor da União Brasileira de Escritores (secretário-geral e tesoureiro) e membro da Academia de Letras de Campos do Jordão (SP) e da Confraria dos Bibliófilos do Brasil (DF). No prelo, o livro Eternamente Lobato – 26 autores em busca de um herói nacional (Editora LetraSelvagem). Recentemente, foi eleito membro da Academia Paulista de Jornalismo e prepara ensaio biobibliográfico sobre o cientista político e acadêmico Candido Mendes de Almeida.

Quando: dia 24 de novembro às 19h
Onde: Academia Paulista de Letras – Largo do Arouche, 312 – São Paulo – SP