PAULO FREIRE, MUITO PRAZER!

Muito se fala sobre Paulo Freire, mas quem foi realmente o patrono da educação brasileira? Basta escrever seu nome no Google e, em 0,79 segundos, aparecerão 50.600.000 de resultados. Por isso, seria impossível tratar de seu legado nestas linhas. A intenção aqui é convidar os leitores a conhecerem sua obra, a pesquisarem sobre esse intelectual que é referência mundial em educação.
Por que temos que falar sobre Paulo Freire? Simples: porque ele é essencial para compreender que a educação é um processo e não um produto, e esse processo é construído por relações entre pessoas. O mundialmente aclamado “método Paulo Freire” é de uma simplicidade espantosamente humana.
A maior inovação de Paulo Freire não se limita ao que chamam de método, no sentido muito estrito. Sua maior inovação está no campo das relações que se dão no caminho do ensino e da aprendizagem, na visão do aluno como alguém capaz, que carrega saberes e que pode partir deles para construir novos conhecimentos. Também se dá na esfera do diálogo, da amorosidade, do papel do educador, como aquele que não é apenas um informante, mas um parceiro de viagem nas terras do saber. Sobretudo, a educação de Paulo Freire é uma prática libertadora, ou seja, o conhecimento é muito mais do que informação acumulada.
O ponto final da educação não existe, porque educar é um transformar perene, uma ação de dentro para fora. Não se trata apenas de escrever ti-jo-lo, mas de acessar o que está oculto nesse tijolo. Quantas pessoas trabalharam para formar um tijolo? Qual a sua importância numa casa? Qual a relevância dos sujeitos que, em conjunto, formaram aquela parte pequena, mas essencial de uma construção? E aí, como se escreve isso, como se descreve isso? Com quantos tijolos se faz uma casa? Quais ângulos precisam ser estudados para isso? Como as operações matemáticas são utilizadas para que a casa seja feita? Qual o papel da ciência, por exemplo, na instalação da energia elétrica? No encanamento? Na composição da água? Estes são apenas alguns exemplos de como Paulo Freire enxerga a educação, inexoravelmente ligada ao cotidiano, ao aprendizado que não se esquece, porque parte integrante da vida.
O método é uma construção coletiva que tem impacto em cada um e na coletividade: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Dessa forma, “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. A beleza de Paulo Freire é trazer para o campo da educação a generosidade, a solidariedade como elementos de saber e de saber-se no mundo, pois “ninguém liberta ninguém. As pessoas se libertam em comunhão”. No processo de humanização, descobrimos que valores como a compaixão, a empatia e o respeito são componentes fundamentais na educação. Por isso, Paulo Freire é presença, troca, aprendizagem e diálogo.
Rubem Alves dizia que educadores são jequitibás. Ser educador é vocação que nasce do amor e da esperança, do tempo e da maturidade. Um jequitibá não se faz da noite para o dia. Por isso Paulo Freire é nosso grande jequitibá. 
Os grandes seres humanos deixam importantes legados. São inesquecíveis pelo que construíram de bom e inspirador para a humanidade. São jequitibás sólidos que não podem ser derrubados por ventanias. Paulo Freire sempre estará vivo e representará a esperança de que podemos fazer mais e melhor. Quanto aos ventos, parafraseando Mário Quintana, eles passarão, Paulo Freire, passarinho.

União Brasileira de Escritores

* Se você quer conhecer melhor a obra de Paulo Freire, há livros que podem ser baixados gratuitamente AQUI

POR UM BOM AMONTOADO DE PALAVRAS!

Dia 7 de janeiro é o dia do leitor. A UBE aproveita a data para convidar nossos associados e amigos das letras para refletirem sobre a importância do ato de ler. 
Em 2019, o Brasil ficou na 57ª colocação em leitura no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) entre 65 países. Já a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2016, pelo Instituto Pró-Livro, revela que o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano. A pesquisa considera “leitora” a pessoa que leu, ao menos, um livro nos últimos três meses, seja inteiro ou parte dele. 
Diante desse quadro de empobrecimento da leitura e de suas consequências diretas e indiretas, como a redução do vocabulário, a dificuldade na interpretação de textos e a limitação que isso significa para o exercício pleno da cidadania, a resposta mais óbvia parece ser a de que devemos investir mais tempo, dinheiro e energia em formar novos e melhores leitores. Assim, causam perplexidade e repúdio as palavras de um presidente que diz que os livros didáticos têm “muita coisa escrita”.
Ele vai além, classificando os livros de “lixo”, expressão, aliás, que costuma usar para tentar desqualificar tudo o que diz respeito à cultura. Faltam sensatez, maturidade, preparo, mas, principalmente, falta dignidade para o exercício do maior cargo da República.
A UBE não pode calar-se diante dos reiterados ataques que vêm sofrendo a educação e a cultura do País. Mais do que combater a pessoa ocupante da cadeira da Presidência, a nossa preocupação é com o futuro sombrio que se desenha sob a névoa do retrocesso. Por achar que educação e cultura são “coisas da esquerda”, o presidente coloca em risco as futuras gerações. Talvez este seja, afinal, o propósito, uma vez que uma população emburrecida é facilmente manobrável.
Essa é a razão pela qual a resistência, por meio da disseminação do conhecimento, da ampliação do acesso aos saberes, em especial da leitura, deve ser consolidada dia após dia. A UBE prestigia a arte brasileira, sobretudo os nossos escritores. A leitura é uma arma no combate à ignorância. E a esse tipo de arma dizemos SIM! 
Dia 7 de janeiro é o dia do leitor. Que os demais dias sejam também.

União Brasileira de Escritores
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