Biografia de Anna Maria Martins

ANNA MARIA MARTINS (São Paulo, 28 de novembro de 1924 – São Paulo, 26 de dezembro de 2020) foi escritora e tradutora. Era filha de Renato de Andrada Coelho e Lucia do Amaral de Andrada Coelho, descendentes de tradicionais famílias paulistas, e viúva do escritor e acadêmico Luís Martins.

Realizou os estudos nos cursos primário e secundário do Ginásio Stella Maris, em Santos (SP). Matriculou-se na Faculdade Sedes Sapitentiae, Departamento de Línguas Anglo-germânicas, mas não concluiu o curso. Estudou também na Cultura Inglesa e na Aliança Francesa. Esteve nos Estados Unidos da América do Norte várias vezes, a partir de 1948; e na Europa, em 1950, 1973 e 2003.

Iniciou a carreira como tradutora, atividade a que se dedicou ao longo da vida, tendo traduzido obras de Agatha Christie, Aldous Huxley, Anthony Berkeley, Laurence Stern, Maurice Leblanc, Heinrich Heine, Herman Melville, T. S. Eliot, entre outros. 

Seus primeiros contos foram publicados no suplemento literário do jornal O Estado de S. Paulo. Pelo livro A trilogia do emparedado e outros contos (Livraria Martins Editora, 1972), recebeu o 15º. Prêmio Jabuti na categoria “Autor revelação” e o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras. Posteriormente, lançou os livros Sala de espera (Edições Melhoramentos, 1979); Katmandu (Global Editora, 1983), pelo qual recebeu o prêmio do Instituto Nacional do Livro; Retrato sem legenda (Editora Siciliano,1995); Mudam os tempos (Editora Girafa, 2003).  

Contos seus estão também publicados nas seguintes antologias: Livro dos transportes, organizada por Dinah Silveira de Queiroz; O conto da mulher brasileira, organizada por Edla van Steen; Pelo telefone, edição especial da TELESP, organizada por Julieta de Godoy Ladeira e Ricardo Ramos; História de amor infeliz, organizada por Esdras do Nascimento; Espelho mágico, organizada por Julieta de Godoy Ladeira; Onze contistas em campo, organizada por Flávio Moreira da Costa; Memórias de Hollywood, organizada por Julieta de Godoy Ladeira; Histórias de amor infiel, organizada por Esdras do Nascimento; Amor à brasileira, organizada por Guido Fidelis e Caio Porfírio Carneiro; Trabalhadores do Brasil, organizada por Roniwalter Jatobá; e no D.O.Leitura, em suplementos literários, revistas e house-organ. Foi, ainda, organizadora/compiladora de antologias, como Melhores crônicas de Marcos Rey (Global, 2009).

Sobre sua obra escreveram, entre outros: Nilo Scalzo, Antonio Candido, José Geraldo Nogueira Moutinho, Jorge Medauar, Cremilda Medina, Fernando Góes, Malcom Silverman.

Desde 1992 até seu falecimento, ocupou a Cadeira n. 7 da Academia Paulista de Letras, cujo Patrono é José Bonifácio de Andrada e Silva, o Moço, avô da escritora. Nessa entidade, coordenou projetos como “O escritor na escola”, tendo levado às escolas públicas grandes nomes da literatura brasileira.

Participou de diversas atividades da União Brasileira de Escritores e atuou intensamente em cargos da Diretoria: como 2ª. Secretária, de 1986 a 1988; como 2ª. Vice-Presidente, em mandatos sucessivos, entre 1994 e 2006. 

Atuou em consultorias, júris literários e como assessora cultural do Vice-Governador de São Paulo, Almino Affonso (1987-1990).  Dirigiu a Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade (de abril de 1991 a janeiro de 1995), onde organizou centenas de oficinas literárias. Foi consultora na Ferrovia Paulista – S.A. – Fepasa, na área de Restauração e Recuperação do Patrimônio Histórico (1996-1999). 

Até o final da vida, participou regularmente das reuniões da Academia Paulista de Letras e deu andamento a um clube do livro. 

Na entrevista à União Brasileira de Escritores, em 18.8.2020, recordando trecho de outra entrevista que concedeu à revista Numen (Scortecci Editora, 1989), Anna Maria Martins destacou o compromisso do escritor: 

Embora ache que o compromisso precípuo do escritor é para com a literatura, considero que o intelectual não pode permanecer omisso
 em relação a fatos que estrangulem o ser humano. Mais precisamente, julgo ser a denúncia uma obrigação do escritor, 
toda vez que um indivíduo for aviltado em seus direitos básicos de sobrevivência. O escritor não se pode calar e jamais pode ser calado. 
Ele imprime para sua geração e para as posteriores seu testemunho, visão e interpretação dos fatos de sua época.” 
(Numen. Scortecci Editora, ano I, n. I, 1989.)

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Fonte da foto: Academia Paulista de Letras. Disponível em: http://www.academiapaulistadeletras.org.br/osacademicos.asp

Referências
ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS. Cadeira n. 7 -  Anna Maria Martins. Disponível em: http://www.academiapaulistadeletras.org.br/osacademicos.asp?temp=10&materia=7
SAYEG, J. B. A vocação nacional da UBE: 62 anos. J. B. Sayeg, Caio Porfírio Carneiro: RG Editora, 2004.
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES. Entrevista da UBE: Anna Maria Martins. 18.8.2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QGRgmEkEkPQ&ab_channel=UBEUni%C3%A3oBrasileiradeEscritores




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