BREVIÁRIO AMOROSO DE SÓROR BEATRIZ / Maria Mortatti

Em "Breviário amoroso de Sóror Beatriz" estão reunidos poemas escritos entre 1976 e 1993, por uma mulher que renunciou à vida comum para se dedicar à vida monástica. Dispersos entre anotações da rotina religiosa registradas nas páginas de seus diários — localizados há alguns anos no convento em que ela viveu reclusa até a morte —, os poemas reunidos neste livro, ao mesmo tempo em que evocam o ritual silencioso de recitação da liturgia do ofício divino, possibilitam entrever os profanos mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos da vida íntima da fiel esposa de Cristo, transitando entre a submissão e a transgressão, a devoção e a heresia.
Maria Mortatti nasceu em 06/11/1954, na cidade de Araraquara/SP, onde estudou desde o curso primário até a graduação em Letras. Entre 1978 e 1991, atuou como professora de língua portuguesa e literatura na rede pública estadual de ensino e concluiu mestrado e doutorado em Educação na Universidade Estadual de Campinas.

DOS CHEIROS DE TUDO - MEMÓRIAS DO OLFATO / João Scortecci

João Scortecci é autor premiado. Nasceu em Fortaleza, Ceará em 1956. Mudou-se para São Paulo em 1972, onde reside até hoje. Autor de 23 livros e mais de 40 edições. Entre eles: A Morte e o Corpo, Água e Sal, Na Linha do Cerol, Quase Tudo, A Maçã que Guardo na Boca e Guia do Profissional do Livro (coautoria), já na 17 edição. 

Dos Cheiros de Tudo – Memórias do OlfatoÉ no dorso da nuca que encontramos os cheiros de tudo. No dorso fugidio da nuca - que se dobra - as vontades expostas do cheiro. Dos odores do olfato. Das propriedades e das essências no campo dos acolhidos. Das fragrâncias da pele. Das provocações e das alucinações dos arrepios da nuca entregues aos vícios do cheiro.

CONVERSA COMIGO / Ricardo Ramos Filho

Conversa comigo reúne 42 crônicas. Textos que não apenas dialogam com o leitor, mantendo o humor e um olhar para o cotidiano, mas também são ricos em literariedade, ou dito de outro modo, possuem uma percepção de que algo, na linguagem, extrapola a função referencial e nos remete a uma dimensão poética (ou simbólica). Em vários textos se delineia nitidamente uma mescla de história pessoal com o ficcional, ao mesmo tempo em que uma poesia inesperada espia através dos fatos da memória. Há nas crônicas de Ricardo Ramos Filho uma profusão de temas que nos deixam perplexos. A denúncia social, equilibrada ao momento lírico, provoca efeitos contundentes no leitor. Aparece “nua e crua” nossa problemática comum. A problemática de uma ‘democracia’ cínica que insiste em não reconhecer a verdadeira guerra urbana em que vivemos e que mata 62 mil pessoas por ano! Corrupção, desemprego e miséria são a tônica no país do carnaval que aprendeu a ser assim, a se aceitar assim, depois de 300 anos de escravidão. Finalmente, vale a pena ainda mencionar aqui a crônica “Leilão”, em que o autor narra a tentativa de resgatar um exemplar de “Vidas secas” autografado em 1938 pelo próprio Graciliano Ramos, avô do cronista deste livro.

CONTOS DE ELEVAÇÃO E DESAPONTAMENTO / Rogério Duarte

Em Contos de Elevação e Desapontamento, Rogério Duarte explora a interferência dos discursos do trabalho e do consumo na linguagem e nos afetos. Como o conjunto das experiências pessoais está rasurado pelo pragmatismo do mundo do mercado, os contos ganham, por vezes, uma feição assustadora, porque se inscreve neles o pragmatismo frio da produtividade, sem espaço para a dimensão emocional das personagens e dos narradores: são todos autômatos, orientados pelo relógio de ponto e pelas metas a cumprir. É dessa enfiada de desapontamentos individuais e coletivos que repontam os poucos espaços simbólicos de elevação – interstícios por meio dos quais, com alguma sorte, escapamos àquela lógica desumanizadora.

Rogério Duarte nasceu em 1976. Doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, é professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação há vinte e cinco anos. Contos de Elevação e Desapontamento é sua segunda obra de ficção.
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